saber analizar os nossos resultados desportivos!!!!!

15-04-2016 11:47


Durante a Campanha, é primordial que o columbófilo
analise constantemente a evolução das suas marcações. Na realidade, isto já
acontece de forma automática - os columbófilos que não estão a marcar bem
tentam alterar procedimentos de forma a conseguirem melhorar as performances
dos seus pombos, mas em quase todos os casos, não analisam o SEU próprio
trabalho e procuram a solução dentro de um frasco de vitaminas ou outros
suplementos! Analisemos mais profundamente o problema. 

Terminada a Campanha, todos nós deveremos analisar o
conjunto de resultados e tentar perceber as razões do sucesso ou insucesso. Se
correu bem, é importante saber identificar os fatores que o determinaram de
forma a aplicá-los em anos futuros. O mesmo procedimento deve ser efetuado caso
a Campanha nos tenha corrido mal, de facto, nestas circunstâncias é
completamente absurdo mantermos os mesmos procedimentos ano após ano. 


OS CINCO PILARES DO SUCESSO
Para estarem aptos a proceder a uma análise completa,
é importante começarmos pelo princípio, com isto quero dizer que deveremos
olhar para o desporto columbófilo como uma entidade. Interroguem-se sobre os
pontos básicos, pois apesar de quase todos os columbófilos estarem
familiarizados com as respostas, não faz nada mal refletirmos uma vez mais
sobre eles. Estejam certos que será uma viagem que despertará boas memórias,
fazendo-nos lembrar de pormenores há muito escondidos sob o manto da velocidade
imposta pela vida moderna. Comecem pelos cinco pilares do sucesso. Quais são
então estes ingredientes absolutamente vitais e sem os quais é impossível
obtermos sucesso em columbofilia? Todos sabemos quais são, mas quantas vezes
nos lembramos deles? São eles... um pombal eficiente, bons pombos, a melhor
alimentação, boa gestão e um método completo. Ao examinarmos estes fatores um a
um, revelam-nos os problemas existentes nas colónias que marcam mal. Vamos
então dedicar algumas palavras a cada um deles.


Pombal eficiente... Existem
pombais nos quatro cantos do mundo - em quase todos os países - a forma como
são construídos varia imenso de país para país. Alguns são enormes, outros
muito pequenos; alguns são bonitos de ver, outros demasiado feios; alguns são
fechados, outros totalmente abertos; alguns são construídos em pedra ou
cimento, outros em madeira, ferro, etc., no entanto todos os pombais bem-sucedidos
são similares - por outras palavras, são bons nos requisitos essenciais... Ventilação
eficaz, pequena variação de temperatura, interior muito seco, nunca está
húmido, proteger os pombos das correntes de ar, assim como dos predadores.


 



 


Bons pombos... Apesar
de todos os procedimentos relacionados com a seleção de pombos da nossa
colónia, nem sempre conseguimos eliminar todos os maus e escolher apenas os
bons. Um mau método praticado por alguns columbófilos é passar para a
reprodução todo e qualquer pombo que seja bonito e bem feito. Lembrem-se que
nada nem ninguém podem garantir que determinado casal irá ser bom reprodutor.
Isto porque existe demasiada interação entre o columbófilo, os seus métodos, as
condições atmosféricas, a distância, o pombal e outras variáveis para que se
verifiquem certezas absolutas. Por exemplo, todos sabemos que um bom casal
adquirido a um columbófilo honesto e de valor confirmado pode não dar nada nas
mãos de um outro columbófilo, no entanto, o mesmo casal pode revelar-se
extraordinário nas mãos de um terceiro columbófilo. 

De uma forma geral podemos afirmar que as hipóteses de
sucesso aumentam consideravelmente em proporção direta ao valor dos
antepassados (as boas linhas não falham). Existem, no entanto numerosos fatores
que influem neste processo, resultando em variadas exceções a esta regra. 

Muitos columbófilos solicitam ajuda de especialistas
para os ajudarem a acasalar os seus reprodutores. Geralmente, estas pessoas
analisam os músculos, asa, corpo, equilíbrio, tipo de olho e outras características
físicas para efetuarem as combinações. Acredito, no entanto, que a percentagem
de sucesso é idêntica à dos columbófilos que utilizam o método do bom senso e
isto porque... Na maior parte dos casos, a qualidade dos reprodutores base
determina a qualidade da descendência. 

Qualquer que seja o nosso método de acasalamento, é
imperativo que os reprodutores sejam da máxima qualidade. Um pedigree detalhado
e preciso, mostrando todas as boas performances pode assim ser um instrumento
de trabalho extremamente valioso.


 





 

A melhor alimentação... A melhor
ração é limpa, saudável - isto é muito importante - contém as sementes certas
numa proporção equilibrada. Naturalmente isto implica que a melhor ração varia
de acordo com as circunstâncias, por exemplo, a ração para velocidade difere da
ração para a longa distância. As alterações de temperatura também implicam
alterações na ração, tanto no tipo de sementes, como na quantidade servida.
Nesta ordem de ideias, o método de servir a ração, o qual inclui a difícil
tarefa de sabermos a quantidade exata, é também importante, atrevo-me até a
dizer, muito mais importante. A quantidade de ração vária de acordo com a
distância do concurso, as condições atmosféricas em que irá ser voado (dias e
noites muito frios podem implicar que a quantidade de ração possa aumentar até
aos 80%) e o tipo de linha de pombos que cultivamos. 

Na alimentação também deveremos incluir os grits, minerais, vitaminas,
legumes, etc. que todos sabemos os nossos pombos necessitarem. Nem será preciso
dizer que a água servida deve ser de boa qualidade. 


Boa gestão... O trabalho mais importante
relacionado com a gestão de uma colónia é, sem dúvida, o controlo do estado
sanitário, uma vez que para atingirmos o sucesso, os nossos pombos devem ter
uma super saúde. No que diz respeito à columbofilia, esta é uma das poucas
afirmações - senão a única! - em que todos os columbófilos estão de acordo. O
que significa super saúde? Suponham que os vossos pombos estão doentes, a
enfermidade é diagnosticada, tratada e estão agora recuperados. Tais pombos
serão saudáveis? Poderão ser, mas não é provável. O que quero dizer? Quando nos
referimos a super saúde, estamos a falar de pombos que recuperaram de todos os
tratamentos a que foram submetidos - invariavelmente os medicamentos provocam
efeitos secundários - sendo capazes de se manterem saudáveis sem o uso regular
de medicamentos (não estamos a falar de vitaminas, tónicos, chás, etc..). No
passado, a maioria dos medicamentos eram administrados na água de bebida,
provocando em muitos casos uma redução na quantidade de água ingerida pelos
pombos, o que por si só prejudicava a saúde destes. Nesta ordem de ideias, não
deveremos administrar qualquer produto na água de bebida que reduza, mesmo que
ligeiramente, a quantidade de água ingerida. Resolvemos o problema misturando
os produtos na ração (desde que possível). 


Não conseguimos obter a supre saúde de um dia para outro. Esta é o
resultado de um cuidado muito atento da colónia durante longo período de tempo,
o qual deve começar na muda. 


Nem sempre é fácil determinarmos qual o estado da saúde dos nossos pombos e
recomendo que, em caso de dúvida, o columbófilo deve procurar ajuda.
Tratamentos cegos (tratar sem ter a certeza do problema) podem resultar, mas na
maioria dos casos, servem apenas para piorar o já difícil problema, uma vez que
a maioria dos medicamentos, para além de matarem os organismos causadores da
doença, também prejudica os próprios pombos. Um diagnóstico preciso tornou-se
um fator essencial da columbofilia moderna. É um pormenor importante uma vez
que deveremos evitar a todo o custo a administração de antibióticos. Com isto
não quero dizer que deveremos reduzir as doses indicadas. Quando tivermos a
certeza do problema que afeta os nossos pombos, os medicamentos devem ser dados
na dose e duração indicadas. 

O que mais implica uma boa gestão? Coisas como exercício regular, alguns
treinos em linha - o número depende quase exclusivamente do tipo de concursos a
voar e da linha e pombos que cultivamos, alimentação e a administração de
suplementos na altura certa, etc.. Quando me iniciei na columbofilia, os
columbófilos mais velhos alertaram-me para a importância da regularidade no
exercício e alimentação, mas até isto é discutível. Um columbófilo meu amigo
trabalha por turnos, em alguns entra ao fim da tarde, noutros logo pela manhã,
etc.. Por esta razão, umas vezes solta os pombos pela manhã, outras vezes ao
fim da tarde e ainda noutros dias nem a solta! Os seus resultados têm sido espetaculares!
Sobre esta temática, devo dizer que o equilíbrio entre a quantidade de ração e
o exercício é muito difícil de conseguir e, por conseguinte, de dominar. 


Excesso de pombos - Já muito se disse e escreveu sobre o excesso de pombos
e toda a gente conhece os perigos que lhe estão associados, no entanto, ainda
ouvimos alguns columbófilos comentar... apesar de ter poucos pombos, foi a
melhor Campanha da minha vida. E porque razão isto acontece?

Porque num pombal com poucos pombos...
1) O ar contém grandes quantidades de oxigénio (em relação ao número de
pombos);

2) Muito espaço disponível. Os pombos não gastam as suas energias em lutas
por um poleiro ou o acesso ao bebedouro/comedouro; 

3) Tendo poucos pombos, o columbófilo dedica mais atenção a cada um dos
seus atletas.




 

O que mais é digno de realce? Muitos métodos utilizados no passado foram
esquecidos e deixaram de ser praticados sem que se tenha verificado um declínio
nos resultados desportivos. O argumento de que se voltássemos a utilizar os
métodos antigos os resultados seriam ainda melhores é muito difícil de provar.
Os métodos evoluem com os tempos, os mitos vão surgindo, mas na columbofilia
muitos dos caminhos continuam a ir dar a Roma. 


Método completo...
Deveremos escolher um método simples e completo, um que reduza substancialmente
a possibilidade de erros, pois o campeão é quase sempre aquele que os comete em
menor número. O tempo disponível e a linha de pombos cultivada deve pesar na
escolha do método de jogo. Qualquer que seja o escolhido, lembrem-se que são os
pombos que se terão de adaptar às circunstâncias e não o columbófilo, pois se
este começar a ceder, os erros aparecem e é precisamente isto que queremos
evitar a todo o custo. 

E que mais? Assumindo que os cinco pilares da nossa colónia são fortes e os
pombos estão saudáveis, motivados e bem preparados fisicamente, mas chegada a
hora da verdade as suas marcações são uma verdadeira desilusão. Porque será???


BONS E MAUS VOADORES
Antes de avançar, deixem-me clarificar aquilo a que
chamo "Bom Voador". Existem algumas situações que podem induzir-nos
em erro. Por exemplo... Se encestarmos 20 pombos, um deles tira o primeiro
prémio e os restantes não vão ao mapa, este não é concerteza um bom concurso! É
claro que a vitória nos deu satisfação, mas a totalidade dos resultados indica
que algo está errado. Não se deixem enganar pelo primeiro prémio. Um resultado
destes deve ser motivo para algumas alterações no sentido de reencaminharmos a
colónia para o caminho correto. Poderemos considerar um bom concurso quando 50%
dos nossos pombos marcarem dentro dos primeiros 10% da coletividade. Poderemos
não ganhar o primeiro prémio, mas meter tal quantidade de pombos dentro dos
primeiros 10% é de facto motivo de satisfação. Caso as marcações sejam de boa
qualidade, não efetuem grandes alterações na tentativa de tirar primeiros, pois
geralmente estas têm o efeito inverso. Não se pode "arranjar algo que não
está estragado"!







Para a nossa discussão vamos assumir que a distância do concurso é 650
kms. 

É fundamental compreendermos o porquê de uma boa marcação, de forma a
estarmos aptos a poder repeti-la. Muitos columbófilos dizem... "Para quê
tanta discussão? Tudo se resume a bons pombos, boa ração, muito treino,
complexo vitamínico e minerais uma ou duas vezes por semana e o controlo
regular contra as enfermidades que mais afetam os pombos". Não discordo,
mas pergunto a esses columbófilos... "Será suficiente?". Se assim
fosse, o mesmo método faria qualquer um marcar bem todas as semanas. A
classificação ficaria então dependente da qualidade dos pombos em prova, sorte
com os arrastamentos e as condições atmosféricas. 

Esta última frase contém as "palavras de ouro". De facto, a
qualidade dos pombos em prova, os arrastamentos e os caprichos do tempo são os
três fatores que causam a grande confusão. 

É óbvio que a qualidade dos pombos que fazem parte da equipa varia de
semana para semana, uma vez que alguns pombos são melhores que outros, mesmo
pertencendo à mesma família. Neste aspeto, nada pode ser feito no imediato no
que diz respeito à qualidade dos pombos. 

Os arrastamentos são determinados pela posição do pombal em relação a
montanhas, lagos, mar e as condições atmosféricas do dia da prova,
particularmente o vento. Mais uma vez, neste aspeto, nada poderemos fazer para minorar
o problema. 

As condições atmosféricas têm de facto um papel preponderante,
possivelmente o mais importante, na performance dos pombos. Apesar da sua
influência nas classificações variar de região para região, as condições
atmosféricas têm um papel decisivo frequentemente ignorado pelos columbófilos.
A importância reside na interação entre as condições atmosféricas e a
preparação física dos pombos. Lembro que estamos a falar de uma forma
generalizada, pelo que não estranhem se acontecerem exceções. 

Existem pombos que voam melhor em determinadas distâncias, mas ainda com
mais frequência aparecem pombos que voam melhor em determinadas condições
atmosféricas. Digo até que certas linhas de pombos marcam bem em determinados
dias, mesmo quando voados por columbófilos diferentes e, por isso, submetidos a
métodos distintos. Com isto quero dizer que certas famílias de pombos têm
preferência por determinado tipo de condições atmosféricas. É pois conveniente
conhecermos bem os nossos atletas para sabermos se uma má marcação não terá
como causa uma inadaptação dos pombos participantes às condições atmosféricas.
Não procurem por isso a causa numa qualquer enfermidade ou a cura dentro de um
frasco. Em tais casos, o sucesso ressurgirá com a alteração das condições atmosféricas
predominantes. 

Se preparamos os nossos pombos para um concurso lento voado com vento de
bico, é evidente que não marcarão bem se este for rápido e voado com vento de
rabo. Se preparamos os nossos pombos para um concurso de chuva, voado num dia
ventoso e frio, quase sempre marcam mal se este virar para tempo quente e seco.
É evidente que quem pretender atingir o topo deve saber analisar as condições
atmosféricas. Quanto mais acertar, maiores serão as possibilidades de sucesso.
Devo lembrar que todos os columbófilos enfrentam o mesmo problema, pelo que os
mais inteligentes serão aqueles que no final da Campanha aparecem nos lugares
cimeiros!







Como preparar pombos para ventos de bico e ventos de
rabo?

1) Em termos gerais, é diferente o tipo de pombo para
estas condições de tempo, pelo que se torna necessário escolhermos os voadores
certos! Não poderemos esperar grandes marcações se encestarmos um pombo típico
para vento de bico a um concurso rápido em que a maioria dos atletas tem
características rápidas. O pombo mais rápido é com frequência maior,
relativamente mais leve, mais comprido e com uma asa rápida. A asa é grande em
relação ao corpo com uma grande secundária e rémiges primárias compridas que podem
ser largas e não muito ventiladas. 

2) A semana antecedente ao encestamento também é essencial. Os pombos NÃO
são submetidos a voos puxados à volta do pombal, nem treinados em linha, nem
encestados para fundo e não podem ser alimentados em demasia (a quantidade e
tipo de ração deve ser sempre proporcional ao exercício e neste caso particular
ambos deverão ser restringidos). 

3) Para melhores resultados, os pombos devem descansar durante algumas
semanas, ou seja não deverão voar concursos de fundo nas três quatro semanas
precedentes à prova que estamos a preparar.


 


 


O oposto
aplica-se a um concurso lento, difícil e com vento de bico.


4) Selecionamos
os pombos certos, ou seja os típicos atletas para vento de bico...curtos, bem
constituídos, asas pequenas, bem ventiladas, músculos flexíveis - mais as
fêmeas do que os machos.


5) Os pombos
devem ser bem treinados à volta do pombal e em linha.


6) Por
vezes, poderemos encestar determinados pombos semanalmente. Tudo depende da
velocidade a que se voaram os concursos, o grau de desgaste apresentado à
chegada e tempo de recuperação. Em nenhuma circunstância deveremos encestar um
pombo na semana seguinte a ter voado uma prova de fundo voada a grande
velocidade - nestes casos existe uma grande probabilidade do pombo não marcar
bem ou até de se perder.


7) Deveremos
servir suplementos de amendoins, girassol ou outras oleaginosas. Poderemos
também misturar óleos à ração.


 


Tudo o que
acabei de dizer são acrescentos ao que normalmente cada um de nós faz.


 


 


 


O cenário
apresentado é o mais básico possível para um concurso de vento de bico
comparado com um de vento de rabo, no entanto a maioria dos concursos não está
sujeito apenas a um tipo de condições atmosféricas. De facto, pode acontecer algo
do género...uma solta com vento nulo e no percurso apanharem vento de rabo, de
bico e lateral. Para além disto, podemos apanhar aguaceiros, nevoeiro, neve,
tempestade de poeira, calor ou trovoadas. Como resultado das condições
atmosféricas variáveis, pode acontecer que o vencedor seja um pombo que não se
destaque quando o vento seja nulo ou constante de sul ou norte.


Perguntem
sempre...Porquê que razão veio este pombo à frente e não outro? Por que razão o
nosso preferido não foi ao mapa? Porque é que os meus pombos não marcam nada?
Será a ração? Terei encestado os meus melhores pombos? Administrei as vitaminas
certas? Será que estão infetados com tricomonas? Porquê, porquê, porquê?


Inicialmente
a resposta a estas perguntas parece estar bem escondida, mas passado algum
tempo começaremos a ver alguma luz. Quando tal acontecer, o caminho do campeão revelar-se-á...mas
desde já vos aviso, o caminho é estreito, sinuoso e muitos de nós perdem-se facilmente!


  








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